Pedindo permissão antes de tocar no assunto, usando linguagem centrada na pessoa, como "pessoa com obesidade" em vez de "obeso", e focando em saúde e objetivos do paciente, não apenas no número da balança. Pesquisas mostram que a forma como o profissional fala sobre peso influencia a confiança do paciente e a chance de ele voltar à consulta.
- O estigma do peso também acontece em consultório e afasta o paciente do cuidado.
- Pedir permissão abre a conversa; impor o tema fecha.
- Linguagem centrada na pessoa separa a pessoa da condição.
- Palavras neutras, como "peso", são mais bem aceitas do que "obeso" ou "gordo".
Por que isso importa para o resultado
Estigma do peso é o conjunto de estereótipos e atitudes negativas dirigidas a pessoas com obesidade, como a ideia de que são preguiçosas ou sem força de vontade. Uma revisão de Puhl e Heuer (2009) documentou essas atitudes inclusive entre profissionais de saúde.
O efeito vai além do constrangimento. Phelan e colaboradores (2015) revisaram os estudos sobre o tema e descreveram como o estigma no atendimento se associa a menor confiança no profissional, comunicação pior, evitação de consultas e menor adesão. Em 2020, um consenso internacional publicado na Nature Medicine por Rubino e colaboradores reuniu especialistas e organizações científicas em um compromisso para eliminar o estigma da obesidade.
Peça permissão antes de falar de peso
Muitos pacientes chegam à consulta já esperando ouvir sobre o peso, às vezes depois de experiências ruins. Perguntar antes devolve o controle a eles.
- "Você se importaria se a gente conversasse um pouco sobre o seu peso?"
- "Algumas pessoas querem falar sobre peso, outras preferem começar por outro assunto. Como é para você?"
Esse é o primeiro passo do modelo dos 5 As adaptado para o manejo da obesidade, descrito por Vallis, Sharma e colaboradores (2013) para a prática clínica.
Use linguagem centrada na pessoa
A linguagem centrada na pessoa coloca a pessoa antes da condição.
| Em vez de | Prefira |
|---|---|
| O obeso | A pessoa com obesidade |
| Paciente gordo | Paciente com excesso de peso |
| Ele não tem força de vontade | Ele está enfrentando barreiras para mudar |
| Você precisa fechar a boca | Vamos entender o que tem dificultado a sua alimentação |
Um estudo de Puhl, Peterson e Luedicke (2013) perguntou a adultos americanos como percebiam diferentes termos usados por profissionais de saúde. Palavras como "peso" e "peso não saudável" foram as mais bem aceitas, enquanto "obeso" e "gordo" foram percebidas como estigmatizantes.
Foque no que importa para o paciente
O número da balança raramente é o que move a pessoa. Disposição, sono, exames, dor, a possibilidade de brincar com os filhos ou de subir uma escada sem cansar costumam ter mais significado.
Perguntas como "o que você gostaria que mudasse na sua saúde?" e "como o seu peso afeta o seu dia a dia, se é que afeta?" ajudam a encontrar esse objetivo.
O ambiente também comunica
Cadeiras sem braços e com capacidade adequada, balança em local reservado, aparelho de pressão com manguito do tamanho certo e roupas de exame em vários tamanhos são detalhes que dizem ao paciente se ele é bem-vindo naquele espaço.
Perguntas frequentes
Falar de peso sempre estigmatiza?
Não. O peso é um dado clínico relevante. O que estigmatiza é a forma: impor o tema, culpar o paciente ou reduzir a consulta ao número da balança.
Posso dizer "obesidade"?
Sim. Obesidade é o nome de uma doença. A recomendação é usar "pessoa com obesidade", e não "obeso", para não definir a pessoa pela condição.
Referências
- PUHL, R. M.; HEUER, C. A. The stigma of obesity: a review and update. Obesity, v. 17, n. 5, p. 941-964, 2009.
- PHELAN, S. M. et al. Impact of weight bias and stigma on quality of care and outcomes for patients with obesity. Obesity Reviews, v. 16, n. 4, p. 319-326, 2015.
- RUBINO, F. et al. Joint international consensus statement for ending stigma of obesity. Nature Medicine, v. 26, n. 4, p. 485-497, 2020.
- PUHL, R.; PETERSON, J. L.; LUEDICKE, J. Motivating or stigmatizing? Public perceptions of weight-related language used by health providers. International Journal of Obesity, v. 37, n. 4, p. 612-619, 2013.
- VALLIS, M. et al. Clinical review: modified 5 As: minimal intervention for obesity counseling in primary care. Canadian Family Physician, v. 59, n. 1, p. 27-31, 2013.
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