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O que acontece quando o paciente para de usar Ozempic?

Por Coach Nutricional · atualizado em

Resposta direta

Os estudos clínicos mostram que a maior parte das pessoas recupera parte importante do peso perdido depois de interromper a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. Na extensão do estudo STEP 1, um ano após a suspensão, os participantes tinham recuperado em média cerca de dois terços do peso perdido. Resultado semelhante aparece com a tirzepatida, do Mounjaro.

Artigo escrito para profissionais de saúde. Não contém orientação para iniciar, manter ou suspender medicamento, que é decisão do médico com o paciente. Ozempic®, Wegovy® e Mounjaro® são marcas de seus respectivos titulares e aparecem apenas como referência aos princípios ativos.
Em resumo
  • A obesidade é uma doença crônica. Quando o tratamento é suspenso, os mecanismos que favorecem o reganho tendem a voltar.
  • Com a semaglutida, o reganho médio foi de cerca de dois terços do peso perdido em um ano sem a medicação.
  • Com a tirzepatida, quem trocou o medicamento por placebo recuperou em média 14% do peso.
  • O medicamento reduz o apetite, mas não ensina hábitos. O trabalho sobre comportamento alimentar é o que o paciente leva consigo.

O que os estudos mostram

Semaglutida. No estudo STEP 1, adultos com obesidade usaram semaglutida 2,4 mg por 68 semanas e perderam em média cerca de 17% do peso. Na extensão do estudo, publicada por Wilding e colaboradores em 2022, o tratamento foi suspenso e os participantes foram acompanhados por mais um ano. Ao final, tinham recuperado em média cerca de dois terços do peso que haviam perdido, e parte das melhoras em marcadores cardiometabólicos também regrediu.

O estudo STEP 4, de Rubino e colaboradores (2021), testou a pergunta de outra forma. Depois de 20 semanas com semaglutida, metade dos participantes continuou o tratamento e a outra metade passou a receber placebo. Nas 48 semanas seguintes, quem continuou perdeu mais 7,9% do peso; quem trocou para placebo recuperou 6,9%.

Tirzepatida. No estudo SURMOUNT-4, de Aronne e colaboradores (2024), os participantes usaram tirzepatida por 36 semanas e depois foram divididos entre continuar o tratamento ou receber placebo. Quem continuou perdeu mais 5,5% do peso. Quem passou para placebo recuperou em média 14%.

Por que o peso volta

O corpo responde à perda de peso com adaptações que favorecem o reganho: aumento da fome, redução da saciedade e queda do gasto energético. Os agonistas de GLP-1 atuam justamente sobre a fome e a saciedade. Quando a medicação sai, esses sinais tendem a voltar ao padrão anterior.

Há ainda um fator comportamental. Durante o tratamento, muitos pacientes comem menos porque a fome diminuiu, não porque desenvolveram novas habilidades. Se a rotina, o ambiente e a relação com a comida não mudaram, o retorno do apetite encontra os mesmos hábitos de antes.

Onde entra o acompanhamento comportamental

Os dados não dizem que o medicamento não funciona. Dizem que ele funciona enquanto é usado, como acontece com o tratamento de outras doenças crônicas. A decisão sobre manter, reduzir ou suspender é médica.

O papel do profissional que acompanha o comportamento é preparar o paciente para qualquer um desses cenários. Algumas frentes de trabalho:

  • Construir hábitos enquanto a fome está baixa. O período de tratamento é uma janela para treinar rotina alimentar, planejamento de refeições e habilidades culinárias.
  • Proteger a massa muscular. Em subestudos do STEP 1, uma parte relevante do peso perdido foi massa magra. Atividade física de força e ingestão adequada de proteína, orientada pelo nutricionista, merecem atenção.
  • Trabalhar o comer emocional. Se a comida era usada para lidar com estresse ou ansiedade, essa função não desaparece com o medicamento.
  • Planejar a transição. Quando o médico decide reduzir ou suspender, o paciente precisa de um plano para o aumento esperado da fome, com metas, sinais de alerta e acompanhamento mais próximo.

Perguntas frequentes

Todo mundo que para o Ozempic engorda de novo?

Os estudos mostram médias, e há variação individual. Em média, o reganho é significativo, e alguns participantes mantêm mais peso perdido do que outros.

O reganho é culpa do paciente?

Não. As adaptações que favorecem o reganho são biológicas. Tratar o reganho como falha pessoal aumenta o estigma e piora a adesão.

Referências

  1. WILDING, J. P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. New England Journal of Medicine, v. 384, n. 11, p. 989-1002, 2021.
  2. WILDING, J. P. H. et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism, v. 24, n. 8, p. 1553-1564, 2022.
  3. RUBINO, D. et al. Effect of continued weekly subcutaneous semaglutide vs placebo on weight loss maintenance in adults with overweight or obesity: the STEP 4 randomized clinical trial. JAMA, v. 325, n. 14, p. 1414-1425, 2021.
  4. ARONNE, L. J. et al. Continued treatment with tirzepatide for maintenance of weight reduction in adults with obesity: the SURMOUNT-4 randomized clinical trial. JAMA, v. 331, n. 1, p. 38-48, 2024.

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