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Por que o paciente não segue a dieta?

Por Coach Nutricional · atualizado em

Resposta direta

Na maioria dos casos, o paciente não abandona a dieta por falta de informação. A dificuldade está na distância entre o que foi orientado e o que a rotina dele permite executar. Motivação que oscila, ambiente desfavorável, sono ruim, estresse, crenças sobre a própria capacidade e falta de plano para os dias difíceis explicam boa parte do abandono.

Em resumo
  • Adesão pesa mais no resultado do que o tipo de dieta.
  • O paciente geralmente sabe o que deveria fazer. O problema é sustentar.
  • Modelos como o COM-B e o Modelo Transteórico ajudam a localizar onde está a barreira.
  • Planos do tipo "se acontecer X, faço Y", metas pequenas e preparação para a recaída aumentam a chance de sucesso.

Adesão importa mais que o tipo de dieta

Em 2005, Dansinger e colaboradores compararam quatro dietas populares em um estudo publicado no JAMA. Nenhuma delas se mostrou claramente superior às demais. O que melhor explicou a perda de peso foi o nível de adesão dos participantes, qualquer que fosse a dieta.

Esse achado muda a pergunta clínica. Em vez de procurar a dieta perfeita, o profissional precisa descobrir o que impede aquele paciente de seguir o plano.

As barreiras mais comuns

Rotina real diferente da rotina imaginada. O plano supõe tempo para cozinhar, refeições em horário regular e acesso a determinados alimentos. A semana do paciente pode não ter nada disso.

Ambiente. Comida disponível em casa, no trabalho e no caminho decide muitas escolhas antes que a força de vontade entre em cena.

Emoções. Para muitas pessoas, comer é uma forma de lidar com estresse, ansiedade, tédio ou cansaço. Tirar a comida sem oferecer outra estratégia deixa um vazio.

Sono. Dormir pouco altera os hormônios do apetite. Spiegel e colaboradores (2004) mostraram que a restrição de sono reduziu a leptina, ligada à saciedade, e aumentou a grelina, ligada à fome.

Crenças. Frases como "nunca consegui" ou "não tenho disciplina" reduzem a confiança do paciente na própria capacidade e fazem o primeiro deslize parecer o fim do processo.

Ausência de plano para os dias difíceis. Festas, viagens, semanas de trabalho intenso. Sem um plano mínimo para esses momentos, um dia ruim vira uma semana perdida.

Ferramentas que a ciência oferece

COM-B. Proposto por Michie, van Stralen e West (2011), o modelo diz que um comportamento depende de três fatores: capacidade, oportunidade e motivação. Se o paciente não consegue cozinhar, o problema é capacidade. Se não tem acesso a alimentos adequados, é oportunidade. Se não vê sentido na mudança, é motivação. Cada caso pede uma intervenção diferente.

Modelo Transteórico. Desenvolvido por Prochaska e DiClemente (1983), descreve estágios de prontidão para a mudança, da pré-contemplação à manutenção. Oferecer um plano detalhado a quem ainda está decidindo se quer mudar costuma gerar resistência.

Planos "se, então". Também chamados de intenções de implementação, ligam uma situação a uma ação: "se eu chegar em casa com fome, então como a fruta que deixei separada". Uma meta-análise de Gollwitzer e Sheeran (2006) encontrou efeito médio a grande dessa estratégia sobre o alcance de metas.

Metas pequenas e progressivas. Hábitos levam tempo. Lally e colaboradores (2010) observaram que a automatização de um novo comportamento levou em média 66 dias, com grande variação entre as pessoas, de 18 a 254 dias.

Preparação para a recaída. Deslizes fazem parte do processo. Combinar com antecedência o que fazer depois de um dia fora do plano evita que o lapso vire abandono.

Perguntas frequentes

Dar mais informação ao paciente melhora a adesão?

Raramente sozinha. A informação é necessária, mas a maioria dos pacientes já sabe o que deveria fazer. O ganho está em transformar a informação em ação possível na rotina dele.

Paciente que não segue a dieta é paciente desmotivado?

Nem sempre. Muitas vezes a motivação existe, mas falta capacidade ou oportunidade. O COM-B ajuda a fazer essa distinção.

Referências

  1. DANSINGER, M. L. et al. Comparison of the Atkins, Ornish, Weight Watchers, and Zone diets for weight loss and heart disease risk reduction. JAMA, v. 293, n. 1, p. 43-53, 2005.
  2. MICHIE, S.; VAN STRALEN, M. M.; WEST, R. The behaviour change wheel: a new method for characterising and designing behaviour change interventions. Implementation Science, v. 6, art. 42, 2011.
  3. PROCHASKA, J. O.; DICLEMENTE, C. C. Stages and processes of self-change of smoking. Journal of Consulting and Clinical Psychology, v. 51, n. 3, p. 390-395, 1983.
  4. GOLLWITZER, P. M.; SHEERAN, P. Implementation intentions and goal achievement: a meta-analysis of effects and processes. Advances in Experimental Social Psychology, v. 38, p. 69-119, 2006.
  5. LALLY, P. et al. How are habits formed: modelling habit formation in the real world. European Journal of Social Psychology, v. 40, n. 6, p. 998-1009, 2010.
  6. SPIEGEL, K. et al. Sleep curtailment in healthy young men is associated with decreased leptin levels, elevated ghrelin levels, and increased hunger and appetite. Annals of Internal Medicine, v. 141, n. 11, p. 846-850, 2004.

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